Tucumã Brasil - Plataforma de difusão cultural

2017

Seja bem vindo.
Este é o site Tucumã © Brasil 
Nosso site trás até você pesquisas e estudos referentes a capoeira e as suas vertentes.
Gostamos de promover debates que nós eleve neste mundo de comhecimento chamado capoeira.
Vou apresentar a vocês algumas das nossas atividades.

Tucumacast - São os podcast de temas e notícias relevantes no mundo da capoeira. 

Tucumavlog - vídeos de opinião, do que rola na capoeira.

Ciclo de oficinas continuadas -  eventos gratuitos com mestres e profissionais de diversas áreas, no qual possam trazer algum benefício a nós capoeiras.

Postagem do site em geral.

Você pode nos ajudar com sugestões de temas, debates e enviando informações, através do e-mail: info@tucumabrasil.com.br  e através do nosso Whatsapp: +55 91 983156878. 

FELIZ 2017 A TODOS!


Com a massificação da capoeira como esporte globalizado, tivemos os aumentos de interesses próprios,  justificados pela "valorização da arte".
Valorização está que somente esta no seu próprio grupo.
Observo certas "coisas" corriqueiras, seja dentro de uma academia de "fundo de quintal", até os mega-grupos.
Graduação!
Pessoas que fazem de tudo para obterem. Tudo mesmo!
Pessoas desqualificadas ou que não tem o tempo necessário,  cada dia mais estão se multiplicando pela nossa arte.
Muitos alegam não possuir tempo... mas para "pegar" suas graduações possuem tal tempo.
O pior de todos é o chamado "incentivo". Antes as pessoas normais tinham na graduação seu incentivo para treinar, hoje as pessoas recebem graduações para serem motivar a começar a treinar.
Pessoas param de capoeira por 10, 15 ou 20 anos... Quando retornam, com pouco tempo formam-se mestres e mestras de capoeira.
Mas qual o motivo disto?
Me pergunto o seguinte: Se você adentrar em um curso acadêmico, estudar e por qualquer razão que seja não continue, será que a instituição lhe daria o diploma?
Por qual motivo a capoeira tem que ter tal exemplo?
Cada dia mais me impressiono com tais pseudos capoeirista!


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Adesão do Pará e o silêncio “popular”: uma reflexão sobre a história única e a marginalidade das diferenças. Todo ano, no Pará, vivenciamos um feriado em que não existe empatia alguma por parte dos sujeitos que deveriam ser os primeiros a lembrar de seu significado. No dia 15 de agosto de 1823, ocorreu, formalmente, a adesão do Pará a Independência do Brasil. Em outros lugares, como na Bahia, a festa de independência é uma grande comemoração popular. Mesmo com suas dimensões folclóricas e carnavalizadas, trata-se de uma interessante oportunidade para refletir, naquele Estado, os lugares sociais dos sujeitos envolvidos. Negros, indígenas e sertanejos são representados, quando não presentes como indivíduos reais, no cortejo da festa que ocorre nas ruas de Salvador. No entanto, no Pará, a data passa como mais um feriado comum, sem nenhum vínculo de responsabilidades ou de interesse para os principais protagonistas dessa história: os paraenses. Bem, cabe refletir o porquê de tal apatia. Em 1822, quando foi declarada a Independência do Brasil, no Rio de Janeiro, então capital do Império, o Estado brasileiro não tinha condições estruturais, administrativas e militares, para impor a independência a todo o território. A marinha era portuguesa. Não havia forças nacionais. Aliás, não havia sequer “povo brasileiro”, pois a maioria da população negra ainda estava escravizada e a população indígena, marginalizada como “selvagem” e considerada como sinônimo de atraso. Brasileiros seriam apenas os brancos descendentes dos portugueses. Frente a tais limitações, a solução do governo foi contratar mercenários estrangeiros para impor a independência para além da capital. Apenas em 1823 a frota mercenária se aproximou do Pará, visando dar continuidade ao processo de independência. Internamente, Belém fervilhava. O interesse pela independência era grande, mas as elites portuguesas se mantinham no poder graças à superioridade bélica e econômica que os favorecia. O contato entre a capital paraense e Lisboa era mais prático do que as comunicações com o Rio de Janeiro. Além disso, a marinha portuguesa garantia a dominação colonial. Quando os mercenários chegaram ao Maranhão, uma frota menor foi enviada para “negociar” a independência paraense. Consta que os portugueses, temerosos por suas fortunas, acataram a independência. Eis o porquê de um termo nada coloquial ou popular, como “adesão” passou a ser a referência para a independência paraense. Ao saber da notícia, populares saíram às ruas, invadiram comércios portugueses, e negros escravizados chegaram a acreditar em uma possível liberdade. Os ricos portugueses, temerosos por seus privilégios, apelaram para a solidariedade branca. Solicitaram a intervenção dos mercenários alegando que havia conflitos na cidade contra a “adesão”. Os mercenários invadiram a cidade e caçaram todos os que eram considerados como suspeitos. O resultado foi o encarceramento de mais de 256 pessoas nos porões de um navio ancorado na baía do Guajará. O episódio, que terminou em tragédia para os paraenses, ficou conhecido como o “massacre do brigue palhaço”. Homens de idades diferentes que lutavam pela independência foram assassinados no porão em nome da “adesão” do Pará a Independência. Como resultado, o Pará aderiu a independência, mas o poder continuou nas mãos dos portugueses e de seus descendentes. Não mudou quase nada a situação dos paraenses. Tanto que outras lutas voltaram a ocorrer e a maior delas ficou conhecida como nome de Cabanagem, ocorrida em 1835. Contudo, não cabe aqui narrar em detalhes essa outra experiência amarga sofrida pelos paraenses. Adianto apenas que o resultado não foi diferente do que aconteceu anteriormente: a violência branca, do governo do Rio de Janeiro, contra a mobilização de negros, tapuias, ribeirinhos e outros rebeldes. Por consequência, a descendência portuguesa se manteve no governo paraense com o final do movimento cabano. As derrotas das iniciativas populares e a manutenção do poder branco de ascendência portuguesa, ajudam a entender o porquê do dia da “adesão do Pará” passar sempre e literalmente em “branco”. As escolas emudecem. Os intelectuais entendem que não diz respeito a eles. Os comerciantes negociam do modo clássico, como sempre fizeram, em desvantagem para o trabalhador. Os currículos de formação, mesmo os de história, continuam repetindo uma história única, como se a história do Pará fosse apenas a continuidade da história portuguesa. Assim, os diferentes, marginalizados pela história única, continuam sujeitos aos novos porões de Brigue palhaços modernos: o latifúndio e a grilagem de terras, que estrangulam a resistência quilombola e indígena. Que possamos refletir sobre esses silêncios de histórias não contadas. Que a adesão se torne realmente uma referência de independência. Contudo, para que isso ocorra, será preciso resignificá-la com novas práticas. Nada de sujeição ao Estado e ao racismo que persiste em nosso meio. Que a memória das inciativas de revoltas, mesmo derrotadas, seja despertada. Teremos, assim, a oportunidade de forjar ações diretas contra uma mentalidade colonial que persiste nas práticas paraenses. Como diria o saudoso Vicente Salles: “Nós que vivemos em uma região colonial não podemos tolerar o conformismo dos colonizados”. Cametá, 15 de agosto de 2017. Augusto Leal Autor de Gladiadores de escassa musculatura
Olá meus nobres camaradinhas!
Sou movido pelos debates e a vontade de aprender/ crescer.
Sempre acompanho as mensagens de vocês e aos fatos ocorrentes na capoeira. Uma importante ferramenta para isso é o Facebook e o YouTube.
Dentre as minhas observações, percebo como esta "fora de moda"ser capoeira. Não consigo entender o motivo, das pessoas colocarem: "...Acabei de fazer um treino de CrossFit para a capoeira...", ou "...Treino de MMA para melhorar minha capoeira...''. E o nosso treino de capoeira para melhorar a capoeira?
- Cadê os vídeos e treinos com berimbaus e etc?
A moda na capoeira é bater foto com base de boxe.
Em algumas postagens aqui, eu me referi sobre como parece que alguns capoeiras tem vergonha da arte. Que muitos usam nome de outras artes marciais para subir nos ringes de MMA. Desvalorizando sua primeira arte marcial chamada capoeira. Temos exemplos de diversos lutadores brasileiros que fizeram isso.
Temos que ter cuidado com as chamadas inovações na capoeira. Muitos aderem a treinamentos "fitness"e esquecem dos treinos fundamentalmente de raiz da capoeira.
Vejo muito treino com pneu, corda, socos, pesos e etc, pra pouca capoeira.
Que tipo de arte estamos ensinando?
Que valores estamos passando?
Somos responsáveis pelos mestres de amanha!
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 Sendo ancestralidade a particularidade ou o estado do que é ancestral, ou seja, do que se refere aos antepassados ou antecessores, o presente estudo teve por objetivo aprofundar a pesquisa da ancestralidade da capoeira delimitando o estudo a responder as seguintes questões, a saber: Q1. A capoeira é indígena? E, partindo do pressuposto que a capoeira é um fenômeno, tal como o fogo que para acontecer necessita de um combustível, um comburente e o calor, portanto: Q2. quais os elementos essenciais para que aconteça a capoeira?

            O estudo aponta que a capoeira não ocorreu na Bahia e se espalhou para pelo Brasil conforme a crença atual. A capoeira ocorreu no Rio, na Bahia, em Pernambuco, em Belém e em todo lugar onde ocorreu o tráfico negreiro africano. Sim, o primeiro Porto Negreiro foi em São Mateus, sul da Bahia e que hoje faz parte do Estado do Espírito Santo. Secundariamente na região do Porto de Galinhas - PE e posteriormente na região do Cais  do Valongo - RJ.

Uma evidência desse fenômeno foi o povo escravizado de Madagascar e da Ilha Reunião protetorados franceses, onde entre os escravos da colheita do café e da cana praticavam uma dança luta sagrada denominada Moringue. Essa pratica é pai da Ladja e do Damye da Martinica (colônia francesa) e influenciou a capoeira Baiana. Segundo o dossiê africano a África Oriental (Moçambique e Madagascar) participou da formação étnica brasileira. O Moringue guarda imensa similaridade com a capoeira nos movimentos, na sonoridade, nas cantigas, na instrumentação e na ritualização dentre outros.

            Em outra face, as práticas indígenas apesar de não serem elementos essenciais para o aparecimento do fenômeno capoeira, temperaram e caracterizaram essa capoeira. No Rio de Janeiro, a etnia predominante eram os Potiguares. Etnia guerreira que tinha como pratica o Maraná. Uma dança guerreira. Isso deu à capoeira carioca uma característica mais de luta. Por sua vez, a Bahia era composta pelos Tupinambás, etnia guerreira, no recôncavo e norte da Bahia e os Tupiniquins no sul. Antes, porém eram habitados por índios do tronco linguístico Macro-jê, dentre eles os Xingaúnas que foram ocupar o centro oeste do Brasil: Xingu, que por sua vez tinham o grito YIÊ, que significa, pare, escute  e preste atenção! Comprovando que influência vai além.

            Por volta do século XVIII a predominância eram a dos Tupys. Os Tupys talvez tivessem tido como atividade física o Xondaro. Pratica Guarani. Toda tribo Guarani praticava tal atividade tendo papéis distintos: o pajé, o protetor, o lutador, ... essa pratica era considerada sagrada e visava preparar a tribo para caça, guerra, as atividades do dia a dia e a prevenção da saúde. Na dança o guerreiro lutador fica no centro da roda, a tribo anda ritmadamente em círculo, no sentido anti-horário. O guerreiro  no centro aguarda a ida de alguém ou seleciona na roda um e a dança da guerra inicia. O guerreiro fará um ataque que pode ser com corpo ou com algum artefato, o Índio não-guerreiro utilizando tem que se esquivar. Ou seja, alguns são guerreiros, outros realizam o papel do pajé mas todos da tribo tem que saber esquivar.



Pelas características da capoeira baiana parece que essa foi a pratica de matriz indígena que influenciou a capoeira. Entretanto, como já afirmei, na época o sul da Bahia era formado pelos Tupiniquins e o norte os Tupinambás. O Xondaro é uma pratica Guarani Mbya.

            Vale pontuar que disserto aqui sobre a capoeira primitiva. A atual capoeira que jogamos, principalmente no que tange o DF, é a capoeira baiana. Por mais que tenhamos recebido influência de todo Brasil devido a característica de Brasília de receber pessoas de todos os cantos do Brasil, a capoeira candanga veio pelas mãos e pés dos Baianos. Bem como a própria capoeira carioca que recebeu a influência de Arthur Emídio, de Itabuna- BA, em sua periferia, como também no centro sofreu influência do grupo senzala que por sua vez, também buscaram na Bahia ou pelas incursões dos irmãos Flores na Bahia, como também mais tarde, de um jovem mestre de capoeira baian, Mestre Camisa. E assim foi em São Paulo com Mestre Suassuna, Mestre Paulo dos Anjos e outros. Parece que a capoeira primitiva sobreviveu entre os baianos que mantiveram a resistência de sua preservação. A capoeira primitiva carioca também até certo poo, Nos sambas de roda, junto com jogo de pau, mas a versão praticada lá atualmente é a baiana.

O estudo permitiu as seguintes conclusões, a saber:

Q1. A Capoeira é de matriz indígena?

Estudos etnomusicológicos sustentam serem indígenas as raízes da capoeira. (Lussac, 2015). O pesquisador Luiz Carlos Krummenauer Rocha (Rocha, 2002) cita as cartas para Portugal e Espanha dos anais das missões jesuíticas no Brasil:

Cartas; do jesuíta Antônio Gonçalves para os
superiores em Lisboa, em 1735, descreve uma
luta em que os índios praticavam antes de
qualquer conflito, em forma de dois a dois ao
centro usando os braços e as pernas como armas
(Convento de Santo Inácio de Loyola, anais das
missões no Brasil. Tomo III p128) (p.11) em Rocha, 2002).

O jesuíta padre MANOEL DA NÓBREGA descreve
em suas cartas ao seu superior na Espanha
falando dos costumes indígenas, descrevendo a
agilidade dos índios Potiguaras com os pés, mãos
e cabeçadas, transformando-se em arma perigosa.
O “museu do convento dos Jesuítas de Barcelona
- Tomo VII de 1860, em Latim” (p.13)

De acordo com Silva (1995), o mestre de Capoeira Gladson
no livro do padre José de Anchieta, Arte
de gramática da língua mais usada na costa do
Brasil, impressa em Coimbra em 1595 - a segunda
obra do padre e a primeira gramática contendo os
fundamentos da língua tupy, também sendo a segunda
obra dedicada a línguas indígenas na América - há
uma citação que “os índios tupi-guaranis divertiamse
jogando capoeira” (p.10)19. Mestre Gladson
também afirma em sua obra que “o navegador
português Martim Afonso de Souza teria observado
tribos jogando capoeira” (p.10)19. De acordo com as
referências acima, tanto o padre jesuíta como Martim
Afonso de Sousa atestam a Capoeira que observaram
como um jogo, em que o padre ainda descreve
acrescentando que se divertiam, porém não sendo
citada nenhuma relação destes jogos com algum tipo
de música ou luta. Tais relatos possivelmente estariam
descrevendo algum tipo de brincadeira jogada na mata
capoeira e não necessariamente a Capoeira luta, prática
corporal. Mas o fato é que, por estas referências se pode
considerar a existência de algum tipo de expressão
com a presença do elemento jogo sendo praticada na
mata, na capoeira, ou mesmo alguma prática lúdica
nomeada capoeira pelo padre ou mesmo pelos índios.
Mas, do mesmo modo, se deve considerar que se esta
fosse uma prática cultural mais especí! ca, poder-seia
crer que o padre jesuíta, pelo grande tempo de
observação, pelas várias regiões em que passou e devido
ao tipo de relacionamento que manteve com os índios,
não se deteria em fornecer maiores detalhes. A! nal, o
padre foi um dos portugueses que melhor conheceram
o litoral sudeste do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro e
Espírito Santo - e ainda esteve brevemente na capitania
da Bahia. Soma-se a isto o fato de sua diferenciação
da maior parte dos demais pela sua cultura erudita
naquele período, compreendido entre 1553, quando
chegou ao Brasil com 19 anos de idade, até o seu
falecimento em 1597. José de Anchieta cultivou
quatro línguas: português, castelhano, latim e tupy, e
produziu importantes obras, as quais ainda merecem
maiores análises para estudos relacionados à Capoeira.
Análises mais profundas sobre tais documentos,
combinadas com outros estudos relativos podem
contribuir de alguma forma sobre o assunto, mas as
leituras super! ciais feitas até agora sobre tais referências
tornam inconclusivas maiores especulações. Outro
ponto é a análise na fonte primária, a qual não foi
possível o acesso durante a elaboração deste estudo e
que pode ser julgada como sendo preponderante para
investigações mais profundas no futuro, aproveitando
os apontamentos desenvolvidos por este trabalho.
Sobre Martim Afonso de Sousa, este foi um nobre
e militar português, nascido entre 1490 e 1500, tendo
falecido em 21 de julho de 1564 ou 1571. Após o
início de sua carreira de homem de mar e guerra, em
1531 percorreu todo o litoral brasileiro por ocasião
da armada que o Rei D. João III enviou ao Brasil
para estabelecer posses na área da bacia do Rio do
Prata, o que não aconteceu devido ao seu naufrágio.
Após este fato retornou à região de São Vicente em
1532, onde estreitou laços com lideranças indígenas
locais e fundou no mesmo ano a primeira vila dos
portugueses nas Américas - a Vila de São Vicente.
Desta viagem, resultou o Diário da navegação de Pero
Lopes de Sousa - irmão de Martim - um documento
histórico ímpar publicado somente no século XIX,
e que merece uma análise em futuros estudos por
concorrer como uma possível fonte para a história da
Capoeira. Posteriormente, Martim Afonso de Sousa
retornou a Lisboa em 1534, já como Capitão-Mor
e donatário de duas capitanias hereditárias. Deste
modo, torna-se possível inferir que é grande a possibilidade
de Martim Afonso de Sousa ter tido contato
com a Capoeira, ou algo semelhante, se esta fosse
parte da cultura indígena e se existisse sua ocorrência
no litoral Sul-Sudeste e talvez no Nordeste naquele
período. E por ser Capitão-Mor, de certo modo
centralizava as informações da Colônia, sendo que
se a Capoeira ou outra expressão semelhante fosse
utilizada como instrumento de defesa, resistência ou
rebelião de alguma forma, provavelmente, ele teceria
maiores detalhes sobre esta prática.
(LUCSSAC, 2015).


Primeiramente vale ressaltar que algumas palavras tinham semânticas distintas na era Brasil colônia. Negro não era quem possui e pele preta, e sim todo aquele que não fosse branco ou tivesse suspeita de não ser um legítimo branco. Talvez para justificar eticamente uma conduta escravocrata o não puro era denominado negro. Eram os negros da terra e os negros da África. Haviam no Brasil pretos índios da terra, como povo Kalunga, a semântica de negro não se equivalia a cor e sim a um “status”. Não era uma palavra substantivada e sim de adjetivada.

A capoeira, sua etimologia provém do indígena e possuía segundo Araujo (2005): 1)  Qualificação de indivíduos que praticavam ou exerciam a luta ou o jogo da Capoeira; 2) Qualificação de toda a sorte de indivíduos malfeitores; 3) Qualificação de indivíduos fugitivos. Segundo Mestre Claudio Danadinho, um dos precursores do grupo Senzala, além de mato ralo, capoeira significava Kaá Poera significava também fuga pelo mato ralo. Ou seja o fato do vocábulo capoeira ter diferentes semânticas, teria contribuído para uma confusão em relação ao significado da prática do jogo-luta e os outros significados da palavra.

Segundo Antônio Moraes da Silva cita a “Luta da Capoeira”, praticada por negros, mestiços e índios no Brasil, em seu livro “Dicionário da Língua  Portuguesa” Lisboa - Typografhia Lacerdina - 1813 Tomo I p.343” (p.12).

 Este dado é importante no que se refere à presença de índios e mestiços em uma referência da Capoeira como luta no período dos primeiros registros desta expressão no Rio de Janeiro. Inclusive, é no ano de 1811, muito próximo da publicação do referido dicionário, em que é possível constatar, no Rio de Janeiro, a primeira evidencia documental da existência da Capoeira jogo-luta.

Conclui que o perfil étnico dos praticantes da luta e do jogo da Capoeira no início do século XIX demonstra que, apesar de ser encontrado um perfil predominantemente de escravos e africanos , não se pode inferir que a gênese desta expressão seria uma cultura e prática de um grupo, de uma etnia ou de uma nação africana específica

Posto assim, a resposta da primeira questão é que pelos dados até hoje pesquisados não se pode inferir a gênese da capoeira nas matrizes indígenas. E fortalecido pelo aparecimento do Moringue, numa época similar ao surgimento da capoeira num protetorado francês (Ilha Reunião e Madagáscar), entre os escravos que disfarçavam sua luta, dança, ritual sagrado dentro das colheitas, neste caso, escravos da colheita da cana de açúcar e de café, que possuíam a cultura do codinome, realizaram uma prática semelhante a capoeira: Moringue, essa arte fortalece o argumento de que a capoeira parece ser um fenômeno que brota onde o negro africano escravizado  se viu na necessidade de compartilhar seus conhecimentos e disfarçar o preparo de uma luta em uma pratica folclórica na ânsia pela libertação.

Q2. quais os elementos essenciais para que aconteça a capoeira?

O negro africano escravo. Talvez em um recorte bem mais delimitado: o negro africano escravo da colheita do algodão e do café

A consequência deste estudo é que novas questões saltam aos olhos do pesquisador, na procura da Ancestralidade do fenômeno capoeira, são elas: Q1) Capoeira carioca foi gerada da soma do N’golo com Maraná? Q2) Capoeira baiana do N’golo com Xondaro? Q3) A capoeira baiana sofreu influências do Moringue? Q4) Quais as matrizes formadoras do Moringue? E Q5) A capoeira baiana é esta que está pelo mundo todo?



Bibliografia

1.     LUSSAC, Ricardo Martins Porto. Especulações acerca das possíveis origens indígenas da capoeira e sobre as contribuições desta matriz cultural no desenvolvimento do jogo-luta. Em Rev Bras Educ Fís Esporte, (São Paulo) Abr-Jun; 29(2):267-78. 2015.

2.     Rocha LCK. Teses que comprovam a brasilidade da capoeira. Rev Prat Capoeira.17:10-3. 2002.

3.     Silva GO. Capoeira do engenho à universidade. 2a ed. São Paulo: o autor; 1995

4.     Araújo PC. Capoeira: um nome - uma origem. Juiz de Fora: Notas & Letras; 2005

5.     Antônio Moraes da Silva. “Dicionário da Língua Portuguesa” Lisboa - Typografhia Lacerdina - 1813 Tomo I p.343” (p.12)14

6.     Brasil. Arquivo Nacional. Códice 403. Vol I. 5 jun. 1811.

"Mestre Brucutú" Brasília-Df

Tucumacast Especial com o Professor Douglas Tessuto.
Pesquisador da origem da capoeira, Professor de capoeira pelo Grupo Muzena de SP.
Esse texto faz parte do livro CAPOEIRA - uma arte indígena do Brasil, é a história da escravidão indígena.

Download do áudio
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Douglas Tessuto

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Certas expressões populares se tornam de tal forma parte de nosso vocabulário e repertório que é como se sempre tivessem existido. Dor de cotovelo, chorar as pitangas, dar com os burros n’água, engolir um sapo ou salvo pelo gongo, tudo é dito como se fosse a coisa mais natural e normal do mundo.


Mas se mesmo as palavras mais corriqueiras possuem uma história e sua própria árvore etimológica, naturalmente que toda e qualquer expressão popular, das mais sábias e profundas às mais bestas e sem sentido, possuem uma origem, ora curiosa e interessante, ora sombria e simbólica de um passado sinistro.

Pois muitas das expressões que usamos no dia a dia, e que hoje comunicam somente seu sentido funcional – aquilo que atualmente a frase “quer dizer” – são originarias de um vergonhoso e longo período da história do Brasil: a escravidão.

Ainda que os sentidos originais tenham se diluído em algo trivial, essa origem permanece, como em toda palavra ou frase comum, feito um DNA marcando nossa própria história.

O Brasil foi o país que mais recebeu escravos no mundo, e o último país independente do continente americano a abolir a escravidão.Conhecer o sentido original e a história de uma expressão é saber, afinal, o que é que estamos falando.Por isso, essa seleção de nove expressões populares criadas durante o período da escravidão no Brasil – uma época que faz parte de nosso passado, mas que possui ainda forte influência sobre nossa realidade atual.

1. Tem caroço nesse angu

A expressão, que significa que alguém estaria escondendo algo, tem sua origem em um truque realizado pelos escravos para melhor se alimentarem. Se muitas vezes o prato servido era composto exclusivamente de uma porção de angu de fubá, a escrava que lhes servia por vezes conseguia dar um jeito de esconder um pedaço de carne ou alguns torresmos embaixo do angu. A expressão nasceu do comentário de um ou outro escravo a respeito de certo prato que lhe parecesse suspeito.

2. A dar com pau


“Pau” é um substantivo utilizado em algumas expressões brasileiras, e tem sua origem nos navios negreiros. Muitos negros capturados preferiam morrer a serem escravizados e, durante a travessia da África para o Brasil, faziam greve de fome. Para resolver a situação, foi criado então o “pau de comer”, uma espécie de colhe que era enfiada na boca dessas pessoas aprisionadas por onde se jogava a comida (normalmente angi e sapa) até alimenta-los enfim. A população incorporou a expressão.

A única foto que se tem notícia de um navio negreiro brasileiro, tirada por Marc Ferrez

3. Disputar a nega

Essa expressão, que significa disputar mais uma partida de qualquer jogo para desempatá-lo, possui sua origem não só na escravidão, como também na misoginia e no estupro (o que espanta que até hoje seja utilizada com tanta naturalidade). Sua história é simples e intuitiva: quase sempre, quando os senhores do passado jogavam algum esporte ou jogo, o prêmio era uma escrava negra.

Escrava trabalhando mesmo que com o filho a tiracolo

4. Nas coxas

A origem da expressão, que quer dizer algo mal feito, realizado sem capricho, é imprecisa, e não há consenso sobre se ela viria de fato do período da escravidão. De todo modo, há vertente mais popular afirma que a expressão viria do hábito dos escravos moldarem as telhas em suas coxas que, por possuírem tamanhos e formatos diferentes, acabavam irregulares e mal encaixadas.

5. Espírito de porco

Ainda que a origem da expressão venha da injusta má fama associada ao animal, por uma ideia de falta de higiene, sujeira e impureza, tal má fama é oriunda de princípios religiosos. Durante o período escravocrata, os escravos se recusavam e eram obrigados a matar o animal, para que servisse de alimento. A recusa vinha porque se acreditava que o espírito do animal abatido permaneceria no corpo de quem o matasse pelo resto de sua vida e, para complementar tal crença, a incrível semelhança que o choro do porco possui com um lamento humano tornava o ritual ainda mais assustador.

6. Para inglês ver

Essa expressão tem sua origem na escravidão, e também no mal hábito ainda atual brasileiro de aprovar leis que não “pegam” (que ninguém cumpre e nem é punido por isso). Em 1830, a Inglaterra exigiu que o Brasil criasse um esforço para acabar com o tráfico de escravos, e impusesse enfim leis que coibissem tal prática. O Brasil acatou a exigência inglesa, mas as autoridades daqui sabiam que tal lei simplesmente não seria cumprida – eram leis existentes somente em um papel, “para inglês ver”.

7. Bucho Cheio ou Encher o bucho

Expressão mais comuns em Minas, eram usadas tanto pelos escravos quanto por seus exploradores, evidentemente que com outra conotação da que se usa hoje. Atualmente significando estar bem alimentado, de barriga cheia, na época significavam a obrigação que os escravos que trabalhavam nas minas de ouro possuíam de preencher com ouro um buraco na parede, conhecido como “bucho”, para só então receber sua tigela de comida.

Escravos trabalhando em Minas, em rara foto da época

8. Meia tigela

A partir da expressão anterior, a história segue, dando origem a expressão “meia tigela”, que significa algo sem valor, medíocre, desimportante. Quando o escravo não conseguia preencher o “bucho” da mina com ouro, ele só recebia metade de uma tigela de comida. Muitas vezes, o escravo que com frequência não conseguia alcançar essa “meta” ganhava esse apelido. Tais hábitos não eram, porém, restritos às minas, e a punição retirando-se parte da comida era comum na maioria das obrigações dos escravos.

9. Lavei a égua

Por fim, a expressão “lavar a égua”, que quer dizer aproveitar, se dar bem, se redimir em algo, vem também da exploração do ouro, quando os escravos mais corajosos tentavam esconder algumas pepitas debaixo da crina do animal, ou esfregavam ouro em pó em sua pele. Depois pediam para lavar o animal e, com isso, recuperar o ouro escondido para, quem sabe, comprar sua própria liberdade. Os que eram descobertos, porém, poderiam ser açoitados até a morte.

Por que você paga para o seu filho(a) treinar Capoeira?:

"Um PAI pergunta para outro - Porque você gasta dinheiro e tanto tempo com treinos, rodas, eventos, campeonatos e passa tanto tempo correndo  para ver teu  filho treinar Capoeira?

O outro pai responde: Bem, eu tenho uma confissão a lhe fazer: Eu não pago para meu filho treinar Capoeira!

O outro pai retruca: Então, se não paga para ele treinar e lutar o que está  pagando?

Bom, responde o pai do aluno... Eu pago por aqueles momentos quando meu filho está tão cansado e ele sente que quer desistir, mas não desiste, quando cair, saber se levantar...

Eu pago pela oportunidade que meu filho pode ter em fazer amizades duradouras.

Eu pago a oportunidade de que ele possa ter contato com professores e mestres incríveis que irão lhe ensinar não apenas sobre a Capoeira mas sobre o jogo da vida.

Eu pago, também, para meu filho poder aprender a ser mais disciplinado.

Eu pago para que meu filho aprenda a cuidar do corpo dele.

Eu pago para meu filho poder aprender a trabalhar com os outros e ser um orgulho, solidário, gentil e um respeitoso membro de sua Escola.

Eu pago para meu filho aprender a lidar com a decepção, quando ele não ganha ou erra um movimento , embora ele tenha praticado mil vezes, mas ainda assim ergue a cabeça e está determinado a fazer melhor da próxima vez...

Eu pago para meu filho aprender a fazer e alcançar objetivos.

Eu pago para meu filho poder aprender que demora horas e horas e horas e horas de trabalho árduo e prática, para criar um campeão, um professor, um mestre e que o sucesso não acontece da noite para o dia.

Eu pago para que o meu filho possa estar na Capoeira, seja nas academias, nas roda, nos eventos, ao invés de ficar envolvido com coisas erradas...

Eu poderia continuar, mas para ser breve, eu não pago para ele treinar nem lutar, eu pago as oportunidades que a Capoeira proporciona para meu filho desenvolver atributos que servirão para o bem de toda a sua vida e lhe darão a oportunidade de abençoar a vida de outros, respeitando todos os espaços, os mais velhos, nossos ancestrais, os mais fracos, a natureza, o meio ambiente, sua família...

Pelo que tenho visto por muitos e muitos anos, acho que é um grande investimento.

E isso, é o que posso deixar para meus filhos e para sociedade.

Autor: Desconhecido

Infeliz!
É como eu chamo este titulo.
Ja que sempre,  a capoeira volta as suas "origens" de discriminação e preconceitos de uma sociedade elitista. No qual julga como cultura, somente as dos lordes e senhores de escravos. Descaracterizando todas as outras da humanidade.
Me pergunto se estaríamos andando em sentidos diferentes? Capoeiristas não podem ser escritores?
Não podem ler?
O pior de tudo é que está chamada, vem de um site no qual o nome já diz tudo: " mundo negro".
Isso me faz lembrar diversas vezes no qual vejo a capoeira discriminada.
Sonhar em termos nosso esporte mais valorizado , não é tão difícil  assim!

E você,  como se sente?

 http://www.mundonegro.inf.br/por-menos-capoeira-e-mais-premios-de-literatura-para-os-nossos-adolescentes/

Pessoal!
Campanha para arrecadar fundo para publicação de livro sobre capoeira. Ajudem, sua participação é muito importante para a publicação deste material!!!
É um projeto onde todo mundo ganha!
Veja as vantagens de apoiar o projeto!
 No Brasil há uma grande dificuldade de apoio para publicação. Ser escritor não é só escrever, mas se preocupar também com a qualidade da publicação e com a distribuição de seus livros.
Existem pequenas editoras e gráficas que fazem vias de editoras, imprimem o livro. Isso quando os autores conseguem recursos para chegar até essas pequenas editoras. Por esse motivo venho através de um dos maiores sites de crowdfunding do mundo arrecadando fundos para esse projeto!


 Mestre Bom Sorriso https://www.kickante.com.br/campanhas/capoeira-critica-de-um-jogo