A Guarda Negra - Tucumã Brasil ® Oficial
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Por Priscila Paiva







A capoeira, como já foi dito na última edição do Boletim Eletrônico CPPA, participou de importantes momentos históricos do Brasil. Isso pode ser visto através do grupo conhecido como Guarda Negra, que, de acordo com o pesquisador Frederico de Abreu era:

“Mal vista pelos ameaçados e vitimados pela violência das suas ações – era uma milícia, formada por capoeiristas e capadócios, dispostos à força da navalha, do cacete e do “pau de fogo”, [para] manter a ordem imperial. Foi criada no Rio de Janeiro e acorbertada pelo gabinete de João Alfredo (ministro imperial), apelando-se no recrutamento dos membros, para os negros gratos à princesa Isabel pela assinatura da Lei Áurea. Foi vista e estudada, também, como movimento negro de apelo racial contra os brancos e como um “partido político”, programado para definir posições de participação dos negros na vida política do país, pós-escravidão, como desejava José Patrocínio, seu idealizador. Espalhou-se para outros lugares do Brasil, em especial, Salvador e Recife, que como o Rio de Janeiro, eram outros importantes núcleos da capoeira”. (p. 35)

A Guarda Negra foi criada por volta de 1888, com o objetivo de lutar contra os republicanos. Existe uma linha de pensamento que acredita que os negros e capoeiristas defendiam a monarquia por gratidão à Princesa Isabel, que os libertou da escravidão em 13 de maio de 1888.

Após a Proclamação da República, que ocorreu em 15 de novembro de 1889, a Guarda Negra foi dissolvida e os capoeiras passaram a ser ferrenhamente perseguidos. O Presidente Marechal Deodoro da Fonseca, nomeou o advogado João Batista de Sampaio Ferraz – “um capoeira amador que se destacara como promotor público na corte –, para chefe de polícia” (Nestor Capoeira, p. 43) Sampaio Ferraz, que ficou conhecido como “Cavanhaque de Aço”, aceitou o cargo com uma única condição: “carta branca para agir contra a maior praga que assolava as ruas do Rio de Janeiro, os capoeiras” (Izabel Ferreira, p. 46).


Referências:

- Abreu, Frederico José de. Macaco Beleza e o Massacre do Tabuão. Salvador, Barabô, 2011.

- CAPOEIRA, Nestor. Capoeira: O pequeno manual do jogador. Rio de Janeiro, Record, 1999.

- FERREIRA, Izabel . A Capoeira no Rio de Janeiro:1890-1950. Rio de Janeiro, Novas Idéias, 2007.

Postagem recebida por E-mail
Enviada por:
Raphael Cego Vieira

E-mail: raphael_cego@hotmail.com

Conteúdo retirado:
Boletim Eletrônico CPPA
Ano II, 29º Edição — Janeiro 2012
Associação Cultural Companhia Pernas Pro Ar

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