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Capoeira: Uma Viagem inesquecível ao presente.

Capoeira: Uma Viagem inesquecível ao presente.

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Sábado dia 17/03 estive participando de um evento de um Mestre amigo meu e fatos
curiosos aconteceram comigo em relação a Capoeira. Era um dia em que já havia dado
aula para alunos com um nível de aprendizado avançado, uma aula gostosa, porém, bem
cansativa e de sugar bastante energia, tanto física, quanto mental. Ao sair daquela aula
senti uma enorme vontade de ficar em casa descansando já que a semana como um todo
não havia sido fácil, devido a compromissos e a demandas pessoais e familiares. Em
evento anterior havia garantido minha presença neste evento e comigo palavra dada é
palavra cumprida, fato que me levou a ir. Chegando lá fui sendo tomado por uma energia
gostosa, sendo bem recebido pelo anfitrião e pelos alunos. O tempo foi passando e foram
chegando outros mestres e conhecidos, nesta altura do campeonato o cansaço ainda
estava presente, mas em intensidade menor. Ao iniciar a roda fui para o instrumento,
especificamente o Berimbau. O Mestre organizador do evento inciou a roda com um jogo
de Capoeira Angola e logo em seguida, subiu o ritmo. Após a subida do ritmo resolvi
fazer um jogo que me levou ao outro jogo. Nesta hora o cansaço já havia sumido e
tomou conta de mim uma forte vibração e euforia, detalhe que ao entrar na roda não tive
tempo de me alongar ou aquecer de qualquer maneira, pois estava com algumas dores
musculares de treinos anteriores, mas como fui convidado a fazer um jogo aceitei. O
evento foi acontecendo e com a chegada de um grande irmão de Capoeira essa energia
foi aumentando, os cantos foram trazendo uma vibração diferente e começamos a jogar,
cantar e a pular, nesta hora senti que era um ser único sem nenhuma dualidade, ou seja,
corpo e mente conectado. Ao olhar para outras pessoas percebi que o mesmo estava
acontecendo, lembrei me então, que já havia acontecido isso comigo algumas vezes e
que tinha lido algo sobre isso no Livro “ A Herança de Mestre Bimba” do Mestre e Dr.
Decânio. Neste livro o autor relata que o nível de consciência pode oscilar da lucidez da
consciência plena da vigília, ao transe profundo de integração cósmica como descrito na
linguagem védica da meditação transcendental por Maharishi! gerado pelo toque musical!
(trecho retirado do livro).
Pude perceber que a medida em que fui encontrando pessoas próximas e de minha
relação, fui levado a me sentir mais confiante e relaxado, fato que Mestre Decânio
também explica de uma maneira interessante e que cito aqui “ao lado da autoconfiança e
do relaxamento, gerado pela redução do bloqueio, aos reflexos naturais de adaptação, o
nível de consciência depende da concentração da atenção e da obediência ao toque do
berimbau sem criar resistência mental ao ritmo do instrumento”.
Esse estado de consciência foi sendo atingido na medida em que me livrei dos bloqueios
de limitações corporais e psíquicas passando a curtir o momento, posso dizer que não saí
do meu corpo, foi exatamente o contrario acredito que voltei para ele, estava ali presente
consciente e não ausente como acontece as vezes no dia a dia das grandes e medias
cidades em que realizamos coisas automaticamente, com isso, os jogos tornaram-se cada
vez mais gostosos e a interação dos jogadores maior, como se na roda não existissem
grupos, títulos e como se todos conhecessem a todos de alguma maneira. Essa interação
ou transe como queiram chamar é algo difícil de ser explicado e em determinado
momento deixou de ser individual e passou a ser coletivo, mais fácil seria explicarmos
aquilo que a ciência vem nos mostrando como os benefícios da capoeira para nosso
organismo, aumento da capacidade cardio-respiratória, melhora dos níveis de flexibilidade
de força e resistência muscular, liberação de endorfina (hormônio responsável pela
sensação de prazer), além daqueles de caráter social e comportamental.
Descrever esta sensação é algo difícil e que em palavras talvez nunca consiga explicar,
porém, acredito que todos os capoeiristas que sentiram isso, ao menos uma única vez,
entendam o que estou falando. Para encerrar posso afirmar que não preciso de luxo para
ser feliz, preciso da simplicidade de uma roda de Capoeira.

Autor: Prof. Márcio Triachini - Grupo Quilombo, Londrina PR 

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