Tucumã Brasil - Plataforma de difusão cultural

2017

EVOLUÇÃO DA CAPOEIRA - Por Douglas Tessuto

4 comments
Texto retirado e com sua publicação permitida da roda virtual, fórum de debates através de E-mails.



EVOLUÇÃO DA CAPOEIRA
A capoeira é uma arte genuinamente brasileira, que já existia no Brasil na época do descobrimento, e era praticada pelos índios que habitavam a costa do nosso País.
Sabendo que essa luta, arte, cultura, ou dança de guerra, que são as classificações mais usadas para a capoeira, que já se fazia presente no Brasil praticada pelos índios, passo a mostrar sua evolução em diversas fases históricas.
Podemos classificar os períodos da capoeira da seguinte maneira:

Primeira fase
ORIGEM
- Já existia no Brasil na época do descobrimento, oriunda dos indígenas.

Segunda fase
Capoeira escrava - A partir da chegada dos negros (Diáspora africana) em 1550, onde negros escravizados, são colocados nas mesmas senzalas com os índios também escravizados pelos colonizadores portugueses, os negros aprendem a capoeira com os índios, e começam a fazer uso da luta nacional denominada CAPOEIRA, em prol de uma libertação a base de luta coprporal, e posterior fuga, com a formação dos quilombos.
- NESSA FASE da capoeira escrava, são vários os indícios de sua presença em períodos enfatizados da história do Brasil. Na Confederação dos Tamoios, somente os índios que eram os únicos escravos na época, fizeram o uso da capoeira para se libertarem da escravidão do colonizador Português. Na formação dos Quilombos, temos escravos negros e índios fazendo uso da capoeira contra os colonizadores portugueses. Na invasão Holandesa, temos negros e índios fazendo o uso da capoeira aliados aos colonizadores portugueses para expulsarem os invasores holandeses do nordeste do Brasil. Na Guerra do Paraguai, temos o Batalhão dos Zuavos, que eram escravos capoeiristas que são alistados pelo exército brasileiro para defenderem a Pátria fazendo uso da capoeira. A segurança do imperador D Pedro I, também foi composta por escravos capoeiristas.

Terceira fase
Capoeira marginalizada
- Com a abolição da escravidão no ano de 1888, ex escravos começam a se deslocarem para os centros urbanos das grandes cidades, e começam a fazer uso da capoeira em confusões de comícios eleitorais, usam também a capoeira em guerra de gangs (maltas), e usam a capoeira até para assaltarem devido ao desemprego que assolava os negros com a chegada dos imigrantes europeus ao Brasil para trabalharem nas lavouras no lugar do escravos. No ano de 1890, a capoeiragem passa a ser proibida em todo o território nacional, e sendo praticada escondida,e é graças a esse feito que essa arte riquíssima não se torna extinta.

Quarta fase
Capoeira Desportiva
- Época que a capoeira é tirada da marginalidade e passa ser praticada em academias, com a formação da Luta Regional Baiana (Capoeira Regional criada pelo Mestre Bimba), nessa época quem não adere a invenção do Mestre Bimba, passa a praticar a capoeira folclórica, nome que antecede o nome capoeira angola. O Mestre Bimba resolve criar uma capoeira mais objetiva com relação a Luta, pois achava a capoeira folclórica com pouca eficácia no contexto Luta.
- Em 1928 a Luta Regional Baiana já está pronta e passa a ser praticada em academia, em 1941 aparece Mestre Pastinha para preservar a capoeira folclórica, e passa a comandar o grupo Nossa Senhora da Conceição da Praia, e somente após a saída do Mestre Canjiquinha do Grupo, no ano de 1952 que é fundado o CECA (CENTRO ESPORTIVO CAPOEIRA ANGOLA), Bem depois da capoeira regional.

Quinta Fase
Capoeira Massificada
- Época que a capoeira começa se espalhar pelo Brasil na década de 1960, e a capoeira angola quase chega a extinsão, devido as pessoas procurarem a capoeira regional devido a beleza e velociade dos golpes que impressionavam as pessoas, nessa época, Mestres considerados angoleiros, posso citar o Mestre João Grande como exemplo, passa a praticar a capoeira show nos EUA, e posterior Mestre Pastinha morre a míngua e abandonado por seus discípulos que desanimam com a capoeira angola.

Sexta Fase
Capoeira Globalizada
- Época inicializada no final da década de 1980 e início dos anos 90, até os dias de hoje, quando a capoeira é levada pelos brasileiros para toda a parte do mundo, e temos que deixar claro que africanos nunca trouxeram a capoeira para o Brasil, mas sim brasileiros levaram a capoeira para a África, essa capoeira já é uma forma modernizada, com elementos de artes marciais de todos o continentes incorporados a capoeira do Brasil, que tem a facilidade de agregar golpes de outras lutas nessa versão contemporânea, de uma capoeira estilizada, com golpes objetivos, e acrobacias que mostram a beleza da Arte Marcial brasileira encantando os habitantes de todo planeta TERRA.

COMO SURGE O NOME CAPOEIRA ANGOLA
Como foi citado, a capoeira não possuia nenhum sobrenome, era denominada apenas capoeira, e com a invenção da capoeira regional (Luta Regional Baiana), começa então duas denominações para a capoeira, sendo uma denominada por capoeira regional, e a outra já não tão eficiente como luta, sendo denominada por capoeira folclórica.
Nessa época, o historiador Édison Carneiro no ano de 1937 ao realizar um estudo sobre a capoeira folclórica (Livro negros Bantos, página 149) e não tendo conhecimentos por não ser capoeirista, caso que ocorre com renomados historiadores da atualidade, que não conhecem a íntegra da Luta capoeira em suas essências e detalhes conhecidos apenas por quem vivencia a arte e cultura nacional, comete um equívoco e publica o seguinte: "
Há várias espécies de capoeira: a) de Angola; b) Angolinha (variação da primeira);
c) São Bento Grande; d) São Bento Pequeno; e) Jogo de dentro; f) Jogo de fora; g) Santa
Maria; h) Conceição da Praia; i) Assalva (salva, saudação); j) Senhor do Bonfim. Todas
estas espécies se distinguem por variações sutis, às vezes pela maneira de tocar o
berimbau, coisa que só mesmo os capoeiristas decifram."
Em seguida, acrescenta: "a capoeira de Angola me parece a mais pura das formas
de capoeira, podendo servir de paradigma à análise" (Carneiro, 1937: 149).
Portanto a repercussão de suas afirmações ainda se faz presente nos dias de hoje entre pesquisadores e capoeiristas. A partir desse momento, intelectuais e capoeiras passaram progressivamente a veicular a expressão "Capoeira d’Angola", considerando-a a forma mais autêntica de jogo, e posterior ela perde o termo capoeira de angola para apenas capoeira angola.
Publicação essa criticada pelo saudoso historiador Valdeloir Rego, que notou o equívoco de Édison Carneiro, Mas o sobrenome já estava dado, e aceito pelos capoeiristas daquele estilo que não gostavam muito do termo capoeira folclórica. Então é por isso que ela se chama capoeira Angola, e não por ter vindo da África, pois a capoeira nunca foi africana em nenhuma forma, sempre foi do Brasil.
Douglas Tessuto (Professor Pelicano - Historiador da arte e cultura da capoeira)