Festival da Libertação dos Escravizados de Benevides 2026 fortalece a cultura afro-amazônica e reúne coletivos de nove municípios paraenses
O Festival da Libertação dos Escravizados de Benevides 2026, promovido pela Tucumã Brasil – Rede de Cultura, reafirmou seu papel como um dos mais importantes encontros de valorização da cultura afro-amazônica no estado do Pará. Realizado no Ginásio Nagibão, no centro de Benevides, com o apoio da Prefeitura Municipal de Benevides e da Secretaria Municipal de Cultura, o festival reuniu cerca de 16 coletivos culturais provenientes dos municípios de Paragominas, Salvaterra (Marajó), Benevides, Santa Isabel do Pará, Belém, Ananindeua, Marituba, Castanhal e Moju.
Integrando uma semana de atividades culturais e o Festival de Circulação da Cultura Afro-Amazônica, o encontro promoveu a aproximação entre mestres da cultura popular, jovens praticantes e a comunidade, fortalecendo o intercâmbio de saberes e incentivando a preservação das tradições de matriz africana.
A programação foi marcada por uma intensa participação do público durante toda a tarde e a noite. Foram realizadas aulas simultâneas de capoeira, movimentação corporal, musicalidade, maculelê e samba de roda, criando um ambiente de aprendizado coletivo, integração e celebração. O festival também abriu espaço para que crianças, adolescentes e jovens demonstrassem seu talento, vigor e dedicação às manifestações culturais populares, ao mesmo tempo em que valorizou a experiência e os conhecimentos transmitidos pelos mestres de cultura.
As tradicionais rodas de capoeira, os cantos, os toques dos instrumentos e os momentos de confraternização emocionaram participantes e espectadores, reafirmando a força da cultura popular como instrumento de identidade, memória e transformação social.
O evento contou com a presença do secretário adjunto da Secretaria Municipal de Cultura de Benevides, Anderson Costa, além de importantes representantes da cultura popular paraense, entre eles Mestre Grilo, de Castanhal; Mestre Cidinho, de Ananindeua; Mestre Baiano; Contra-Mestre Groselha; Mestre San, do Grupo Muzenza de Capoeira de Belém; além de diversos outros mestres, professores, contramestres, monitores e coletivos que contribuíram para tornar o festival um grande encontro de resistência, troca de experiências e fortalecimento da cultura afro-brasileira.
A edição de 2026 prestou uma homenagem especial à Mestre Edilson Beckman, representa a resistência, a transmissão dos saberes tradicionais e o compromisso com a valorização da identidade cultural de Benevides. Sua presença e participação emocionaram o público e simbolizaram o reconhecimento a memória e as tradições das comunidades.
O Festival da Libertação dos Escravizados de Benevides celebra os 142 anos da libertação dos escravizados em Benevides (1884), fato histórico que tornou o município a segunda cidade do Brasil a abolir a escravidão, quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea. Mais do que recordar esse marco histórico, o festival promove reflexões sobre os impactos históricos e sociais da escravidão que ainda persistem na sociedade brasileira, reafirmando a importância da luta antirracista, da igualdade racial e da valorização da cultura negra.
Ao reunir mestres, grupos culturais, artistas, pesquisadores e comunidades de diferentes regiões do Pará, a Tucumã Brasil – Rede de Cultura fortalece sua missão de preservar, difundir e incentivar o patrimônio cultural afro-amazônico, construindo pontes entre tradição e novas gerações e demonstrando que a cultura popular continua sendo um instrumento fundamental de educação, cidadania, pertencimento e transformação social.
A edição de 2026 confirmou que o Festival da Libertação dos Escravizados de Benevides já se consolidou como um importante espaço de encontro, reconhecimento e celebração da história, da memória e da resistência do povo negro na Amazônia, fortalecendo redes culturais e inspirando novas gerações a manterem vivas as tradições que constituem a identidade do Pará e do Brasil.